The Memory Reservoir (Barragem da Memória)
■ Breve Sinopse e Tratamento:
O que retém o silêncio de uma albufeira?
"Barragem da Memória" (The Memory Reservoir) será um ensaio documental que propõe uma arqueologia sensorial dos aldeões da freguesia parcialmente submersa de Santa Clara-a-Velha e a territorialidade em Odemira, no distrito de Beja (Baixo Alentejo): a oposição entre o "betão autocrático" e as "geografias afetivas" que a água não logrou afundar.
Inaugurada por Marcello Caetano em 1969 como iconografia do Estado Novo, a Barragem de Santa Clara não representou apenas um triunfo da engenharia, mas o estancamento e progresso de um território.
A propor habitar a tensão entre a imobilidade da paisagem aquática, que preservam e o eco das memórias que isolam o passado, de quem viu a sua aldeia desaparecer, o dispositivo propõe utilizar hidrofones e cartografia aérea para resgatar os vestígios deste quotidiano interrompido.
Entre as ruínas que emergem da água e a monumentalidade da infraestrutura, este projeto de documentário curta-metragem pretende mergulhar nas profundezas da lembrança para dar corpo à resistência de um concelho que a ditadura inundou, mas o tempo não apagou.
■ Tratamento
O que retém o silêncio de uma albufeira?
"Barragem da Memória" (The Memory Reservoir) será um ensaio documental (com a duração aproximada entre 25 a 30 minutos), com pesquisa, argumento e realização de Abel Börba, que propõe uma arqueologia sensorial sobre a territorialidade, a cidadania e a invisibilidade em Odemira, no distrito de Beja (Baixo Alentejo).
Inaugurada em 1969, por Marcello Caetano, como um monumento de betão do Estado Novo, a Barragem de Santa Clara não representou apenas um triunfo da engenharia hidráulica, mas o estancamento deliberado de uma geografia afetiva de uma comunidade.
A obra debruçará sobre a tensão dialética entre a paisagem aquática e o testemunho oral de quem viu a sua aldeia ser suprimida pela cartografia autocrática.
A privilegiar a escuta ativa e o rigor da imagem, o documentário utilizará um hidrofone para captar a ressonância subaquática deste "não-lugar", enquanto um drone cartografa pontualmente capta as cicatrizes dos territórios que hoje desapareceram na água.
A curta-metragem propõe-se registar um período histórico de Portugal sobre a impermanência e o trauma.
Trata-se de um dispositivo de resistência sobre os últimos guardiões de uma localidade submersa, de modo a devolver humanidade a aldeões que a ditadura inundou, mas o tempo não logrou apagar.
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Abel BörbaDirector
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Abel BörbaWriter
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Abel BörbaProducer
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Project Title (Original Language):Barragem da Memória
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Project Type:Documentary, Short
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Production Budget:75,000 EUR
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Country of Origin:Brazil, Portugal
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Country of Filming:Portugal
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Language:Portuguese
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Film Color:Black & White and Color
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First-time Filmmaker:No
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Student Project:No
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Digital Cinema Package:Unavailable
[ Ö ] ABEL BÖRBA
● B I O G R A F I A
Após um hiato, em quase uma década, no meu percurso criativo — necessário para um amadurecimento pessoal, artístico e profissional —, estou a regressar novamente às minhas atividades de criação, desenvolvimento, argumento e realização, produção, exibição e educação não-formal cinematográfica.
Sou realizador, argumentista, produtor, investigador independente e diretor criativo, com um percurso definido pela interseção entre estética fílmica, investigação histórica e justiça social.
A minha prática artística e profissional é indissociável de uma postura ética que visa desconstruir as hegemonias e as estruturas de opressão instaladas nas indústrias criativas e institucionais.
Como dinamizador cultural e pensador cinematográfico, atuo como diretor criativo e programador da AICI — Associação de Imagem e Cinema Interseccional (com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026), onde desenvolverei um trabalho pioneiro na promoção de narrativas que privilegiam a diversidade e a equidade representativa.
Desde 2003, a minha visão estratégica e curatorial estende-se à [ MaS ] — Mostra de Audiovisual Social, plataforma que perceciona o cinema como ferramenta de intervenção cívica e debate público, e ao Cineclube Kino-Pravda, onde resgato a tradição do cineclubismo para fomentar o pensamento crítico e a educação fílmica em contextos não formais e comunitários.
No campo da escrita e da realização, dedico-me a projetos de fôlego que exigem um rigoroso trabalho de pesquisa e análise sociológica, antropológica e psicanalítica.
Com uma formação contínua e uma atuação que abrange desde a conceção, produção até à investigação não-académica, posiciono-me como uma voz ativa na nova geração de cineastas que percebem o ecrã como um espaço de criação e justiça.
O meu trabalho é guiado pela procura de uma democratização horizontal do cinema, a lutar pela proteção dos direitos humanos e das liberdades individuais, tanto na esfera da cidadania como na prática profissional criativa.
Através das minhas múltiplas frentes de atuação, pretendo continuar a construir pontes necessárias entre a lembrança do século XX e os desafios urgentes da democracia e da liberdade de criação neste século.
Vivo e Trabalho entre o Porto, Lisboa e Paris.
🌐 EN
[ Ö ] ABEL BÖRBA
Director | Scriptwriter | Producer | Independent Researcher and Film Programmer| Creative Director
● B I O G R A P H Y (English Version)
Following a nearly decade-long hiatus dedicated to personal, artistic, and professional maturation, I have returned to my creative activities encompassing development, screenwriting, directing, production, exhibition, and non-formal film education.
I am a film-maker, screenwriter, producer, independent researcher, film programmer, and creative director, with a career defined by the intersection of film aesthetics, historical research, and social justice.
My artistic and professional practice is inseparable from an ethical stance that aims to deconstruct hegemonies and oppressive structures within the creative and institutional industries.
As a cultural promoter and cinematic thinker, I serve as the Creative Director of AICI – Intersectional Image and Cinema Association (set to launch in the second half of 2026), where I develop pioneering work promoting narratives that prioritize diversity and representative equity.
Since 2003, my strategic and curatorial vision has been channeled through [ MaS ] – Social Audiovisual Exhibition, a platform that perceives cinema as a tool for civic intervention and public debate, and Cineclube Kino-Pravda, where I revive the cineclub tradition to foster critical thinking and film education in non-formal and community contexts.
In my writing and directing, I dedicate myself to long-form projects requiring rigorous sociological, anthropological, and psychoanalytical research.
With continuous training and a career spanning from conception and production to non-academic research, I position myself as an active voice in a new generation of filmmakers who see the screen as a space for both creation and understanding.
My work is guided by the pursuit of a horizontal democratization of cinema, fighting for the protection of human rights and individual freedoms, both in the sphere of citizenship and creative professional practice.
Through my multiple fronts of action, I intend to continue building the necessary bridges between the memory of the 20th century and the urgent challenges of democracy and creative freedom in the 21st century.
Based and Work in: Porto, Lisbon, and Paris.
■ Nota de Intenções
A relevância sociocultural em realizar este intento no Baixo Alentejo prende-se com o desaparecimento iminente dos últimos guardiões desta memória viva.
Odemira possui uma geografia afetiva fragmentada pela barragem; filmar este território é um ato de auscultação de discurso social, onde a escuta nas populações de Santa Clara-a-Velha, Pereiras-Gare, Cortes Pereiras, Corte Brique, Gavião e Fitos ganharão vozes através de uma linguagem de proximidade e imersão.
■ Perfil dos(as) Entrevistados(as)
O "Arquivo Vivo"
No desenvolvimento do tratamento e o guião, estes são os quatro perfis fundamentais para cobrir a dimensão humana e poética:
• O(A) "Desalojado(a)" pela Água:
Habitantes (ou descendentes diretos) que viviam nos montes ou quintas que hoje são fundo de barragem;
• O Operário da Obra:
Antigos trabalhadores que participaram na construção do paredão durante a década de 60;
• O(A) Pastor(a)/Agricultor(a) da Margem:
Alguém que permaneceu na fronteira da água, vendo a sua rotina de pastoreio ou cultivo ser alterada pela nova barreira física;
• O(A) "Guardiã(o) das Ruínas":
Alguém que conhece os locais exatos onde as estruturas emergem quando o nível da água desce.
■ Breve Plano de Rodagem: (1 mês)
• Semanas 1 e 2 (Imersão):
Cartografia humana em Santa Clara-a-Velha e Amoreiras-Gare.
Identificação de locais de filmagem e contacto com antigos moradores e trabalhadores da obra;
• Semana 2 (Voz e Som e imagem): Gravação de entrevistas focadas em estímulos sensoriais.
Captação de paisagens sonoras e imagéticas e experiências com hidrofones no paredão da barragem;
• Semana 3 (Imagem e Poética):
Captação de planos contemplativos, texturas de betão e ruínas emergentes.
Utilização de drone para revelação da escala e mapeamento da inundação e simetrias da paisagem.
■ Possíveis Interlocutores e Fontes
Para enriquecer a recolha de testemunhos, poderei contatar e ser contatado:
• Associação de Beneficiários do Mira (ABM): Gestores da infraestrutura com perspetiva técnica e histórica;
• Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Velha: Frequentemente envolvida em tertúlias de "Memórias Vivas" sobre a barragem;
• Município de Odemira: Através do setor da Cultura e Património, que promove roteiros como o "Mira a Terra" para dar a conhecer os valores culturais da zona.
■ Breve Metodologia Descritiva Técnica:
• Utilizarei câmaras Sony FX6 ou FX3 (Full Frame, 4K/10-bit) e óticas fixas de cinema para uma textura orgânica.
• O som será central, a utilizar hidrofones para captar a ressonância subaquática da barragem.
• O uso de drone será pontualmente, a focar em planos zenitais (90º) para revelar a cartografia das ruínas submersas.